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Unidade de Amor

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"Unidade de Amor"

Extraído e traduzido por Harold Walker
Do livro "Kingdom of Love" (Reino de Amor) - Hannah Hurnard (autora do clássico "Pés como da Corça nos Lugares Altos)
 

"E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi. Ao soar essa voz, Jesus foi achado sozinho" (Lc 9.35,36).
 

"Rogo-vos... que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef 4.1-3).


O que é a verdadeira unidade do Corpo de Cristo? Como podemos nutrir e praticar essa unidade? Qual deve ser nossa atitude em relação àqueles cristãos de quem sinceramente discordamos e que tememos que vão induzir outros a errar?


Até onde devemos cooperar com outros grupos cristãos que não adoram como nós e que usam métodos diferentes dos nossos? Como devemos falar sobre essas diferenças no ensino e na interpretação das Escrituras quando nos dirigimos aos descrentes? Acima de tudo, como devemos alertar outros sobre o perigo e nos engajar no combate aos erros reais e à negação do nosso Senhor, sem ferir ao Espírito Santo de Amor e causar danos a nós mesmos através de pensamentos destrutivos? Porque se a história registra como os hábitos destrutivos de pensamento têm provocado tal caos na igreja de Cristo que até hoje, no século 20, nos encontramos divididos em tantas facções, qual será o princípio prático de cura e unidade que poderíamos praticar?


"Deixaste o teu primeiro amor", foi o recado do Senhor para a primeira igreja que começou a se dividir por causa desse mesmo assunto de por "à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos" (Ap 2.2). Parece que a causa primordial da desunião consiste nisso: em deixar nosso primeiro amor, não necessariamente se esfriando e faltando fervor, mas transferindo nosso amor principal e supremo do próprio Cristo para outro objeto. Talvez transferindo nossa lealdade, amor e interesse mais forte da pessoa de Cristo para a Igreja? Ou para nossa parte da Igreja? Ou para a sã doutrina, ou para a fé uma vez entregue a nós pelos santos?


Em todos esses casos, nós imediatamente nos encontramos com uma transferência do ponto central de combate e ficamos contra todo mundo que não enfatiza o mesmo objeto que nós, e como Saulo e outros fariseus sinceros e devotos, sem estar ciente do fato, podemos nos encontrar lutando contra o próprio Cristo.


Se a real causa de desunião e fraqueza na Igreja é deixar o primeiro centro de amor e lealdade, o próprio Senhor Jesus, que é Salvador e Rei e Líder, então a cura para cada um de nós individualmente e coletivamente consiste em voltar para o centro que deixamos. Precisamos voltar ao primeiro amor e centro, o próprio Senhor da Igreja, porque ele tem a primazia até sobre a Igreja, as doutrinas e o próprio evangelho.


Depois devemos aprender com Ele como amar todos os nossos irmãos que são membros do corpo dele assim como ele os ama e comportar-nos em relação a eles como Ele se comporta em relação a nós.


Porque ele disse: "Eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.15). Vez após vez descobrimos que ele continua a dar a mesma bênção, sim, o poder de ajudar outros a segui-lo, para muitas pessoas que nós achamos que não deveriam receber essa bênção ou ter esse poder, por causa dos seus ensinamentos errados.


Se apenas praticarmos o ABC do amor, cada um de nós descobrirá, individualmente, o caminho para uma unidade amorosa, sem uniformidade, com todos que estão praticando os mesmos princípios do reino de amor.


1 - O amor aceita e ama todos que verdadeiramente amam o Senhor Jesus e que o tornam central em seus corações. Essa atitude nos coloca em um relacionamento com todos os filhos de uma grande família, muito diferentes em temperamento, interesses, habilidade e dons, trabalho e passa tempos, mas todos profundamente interessados uns nos outros e sempre amorosamente dispostos a servir quando qualquer necessidade ou oportunidade surge e nunca, em hipótese alguma, denegrindo a imagem de qualquer membro da família para pessoas de fora. O amor aceita com alegria. Esse é o primeiro princípio lindo do reino de amor.


Houve um relato interessante de um servo de Deus que estava escutando uma palestra numa faculdade teológica de um professor que estava lançando dúvidas sobre a imaculada conceição de Jesus (o seu nascimento de uma virgem), apesar de ser, ao mesmo tempo, um seguidor sincero e zeloso do Senhor Jesus. Ele só não conseguia aceitar intelectualmente essa doutrina específica. Enquanto ouvia, esse servo de Deus ficou cada vez mais perturbado e incomodado até que não aguentou mais, e, levantando o coração ao Senhor, interiormente exclamou: "Senhor, o que é a verdade? O que devo acreditar? Como alguém que diz que ama e serve o Senhor pode negar seu nascimento de uma virgem?"


Gentilmente e claramente, pareceu-lhe que o Senhor respondeu sua pergunta, com a resposta que lhe pareceu perfeita: "Eu nasci de uma virgem, mas aceito aqueles que não conseguem acreditar nisso".


Algum dia feliz, todos nós veremos e entenderemos muitas verdades que hoje desconhecemos, e então ficaremos muito gratos que o Senhor não esperou, nem recusou nos aceitar, até que pudéssemos entender tudo que ele queria que conhecêssemos sobre ele. Levou muito tempo depois que Pedro começou a seguir o Senhor para ele entender que ele era realmente o Filho de Deus e não apenas o querido Líder e Mestre.


2 - O amor aguenta todas as chateações e cargas e desapontamentos que aqueles que trabalham conosco e de quem discordamos nos causam.


3 - O amor aprende a orar por todos esses de forma criativa, de tal forma que um poder transformador é liberado na vida deles.

Se nós, como indivíduos e como igrejas, praticarmos esses três princípios, e permitirmos o amor reinar em nossos corações e mentes, descobriremos que nossa atitude e comportamento em relação aos outros contribuirá continuamente de forma criativa à unidade e será contra desconfiança e separação. Sem dúvida haverá muitas diferenças entre nós na maneira em que o Espírito Santo nos conduzirá a trabalhar juntos em formas de cooperação externa, mas não tem jeito de errar se amarmos. Mas amor não é só em palavras, mas em ações. Não significa dizer com nossos lábios que amamos todos os verdadeiros membros do Corpo de Cristo e agir como se discordássemos intensamente deles e alertando outros contra eles. O amor sente necessidade para se expressar e procura toda oportunidade possível para fazer isso. 
Que tipo de unidade será o resultado de pensar e agir com amor criativo? Com certeza, não será uma uniformidade artificial, mas a unidade e poder que pertence a todo indivíduo que pratica com outros indivíduos e grupos, o pensamento do amor criativo de uns para com os outros e a suprema devoção ao nosso Senhor Jesus Cristo. Então ele usará o nosso testemunho como ele deseja e se manifestará ao mundo através de nós.


Quando tivermos entrado nessa unidade seremos capazes de nos regozijar de forma bem nova na gloriosa verdade que Deus usa muitas outras maneiras e meios para ajudar aqueles que não foram capazes de achar ajuda por meio das coisas que nos ajudaram de uma forma tão indescritível. Exultaremos sobremaneira pela grande multidão de pessoas que nenhum homem poderá contar que vieram a Cristo por outros, e por maneiras que nós mesmos não teríamos usado e talvez até por meio, ou a despeito, de ensinamentos que nós consideramos heréticos.


Nos essenciais, unidade.
Nos não essenciais, liberdade.
Em todas as coisas, o amor.


E talvez todos os grandes essenciais podem ser resumidos nas palavras ditas pela voz de Deus lá do céu: "Este é o meu Filho amado em quem me comprazo. Ouvi-o!"

 

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