logomarca

Conclamação de Chicago (EUA)

imprimir tamanho da letra: A- normal A+

Breve Introdução

A Comunidade Família faz parte do chamado "Movimento de Convergência" ou "Convergência de Fluxos", ou seja, os atributos evangélicos, carismáticos e litúrgico-sacramentais, encontram-se em perfeita comunhão em nossa experiência como Igreja Cristã Universal. As sementes deste movimento de convergência foram plantadas em maio de 1977, quando um grupo de líderes de tradição reformada fez um veemente apelo a todos os evangélicos para que descobrissem suas raízes junto ao Cristianismo histórico. A Conclamação de Chicago, como passou a ser conhecida, foi assinada por pessoas como Peter Gilquist, Thomas Howard, Robert Webber e John Braun. A mensagem deles – um resgate de nossas raízes comuns e apostólicas para a transmissão fiel do Evangelho – se tornou o catalisador e fator de motivação para nossa Comunidade e para centenas de Igrejas ao redor do mundo. 

DOCUMENTO CONCLAMAÇÃO DE CHICAGO (EUA): UM APELO AOS EVANGÉLICOS
Maio de 1977

PRÓLOGO

Em cada época o Espírito Santo chama a Igreja a examinar sua fé na revelação de Deus na Escritura. Nós reconhecemos com gratidão a bênção de Deus através do ressurgimento evangélico na Igreja. Todavia, a cada época de crescimento, devemos estar alerta para as nossas fraquezas. Entendemos que hoje os evangélicos estão impossibilitados de alcançar completa maturidade como conseqüência do reducionismo de sua fé histórica. Há uma necessidade de refletir na substância da fé bíblica e histórica e de recuperar a totalidade de sua herança. Sem pretender contemplar todas as nossas necessidades, identificamos oito temas nos quais, nós cristãos evangélicos, devemos fazer cuidadosas considerações teológicas:

  

UM APELO À CONTINUIDADE DAS RAÍZES HISTÓRICAS


Confessamos que freqüentemente temos nos esvaziado das abundantes riquezas de nossa herança cristã, fruto de uma postura na qual acredita-se que a obra do Espírito Santo e o testemunho das Escrituras estão desconectados com o passado. Agindo assim, tornamo-nos teologicamente rasos, espiritualmente fracos, e ao mesmo tempo encobrimos o que Deus fez aos que nos antecederam na fé e valorizamos nossa cultura em detrimento da obra divina.


Assim, conclamamos os evangélicos a uma redescoberta de nossa completa herança cristã. Através da história da Igreja existe um impulso evangélico para proclamar a imerecida graça de Deus e a reforma da Igreja de acordo com as Escrituras.


Este impulso aparece nas doutrinas dos concílios ecumênicos, na piedade dos pais da Igreja, na teologia agostiniana da graça, no zelo dos reformadores monásticos, na devoção dos místicos e na integridade intelectual dos humanistas cristãos. Ela floresce na fidelidade bíblica dos reformadores protestantes, continua nos esforços dos puritanos e piedosos para complementar e aperfeiçoar a Reforma; é reafirmada nos esforços dos movimentos de avivamento dos séculos 18 e 19 que uniram luteranos, reformados, wesleyanos e outros evangélicos no esforço ecumênico para renovar a igreja e estender sua missão na proclamação e na demonstração social do Evangelho.

  

UM APELO À FIDELIDADE BÍBLICA


Lamentamos nossa tendência para a interpretação individualista da Bíblia. Isto corta pela raiz o caráter objetivo da revelação bíblica, e nega a orientação do Espírito Santo no pensar teológico dos antigos.


Afirmamos que as Escrituras são a infalível Palavra de Deus, a base da autoridade da Igreja. Afirmamos que Deus usa as Escrituras para julgar e purificar seu Corpo. A Igreja iluminada e guiada pelo Espírito Santo deve interpretar, proclamar e viver as Escrituras.

  

 APELO À IDENTIDADE CREDAL


Lamentamos os dois extremos: de um lado uma igreja credal que somente recita uma fé herdada do passado, e de outro, uma igreja de credos que adoece em um vazio doutrinal. Confessamos que, como evangélicos, não somos imunes a estes defeitos.


Afirmamos a necessidade, no tempo atual, de uma Igreja que confesse, que dê testemunho de sua fé ao mundo, mesmo sob perseguição. Em todos os tempos a Igreja deve atestar sua fé contra heresias e paganismo. O que é necessário é uma vibrante confissão exclusiva e inclusiva, cujo objetivo é a purificação da fé e da prática. A autoridade confessional é limitada e derivada da autoridade das Escrituras. A Igreja necessita expressar sua fé, sem abdicar das verdades aprendidas no passado. Precisamos articular nosso testemunho contra as idolatrias e as falsas ideologias de nossos dias.

 

UM APELO À SALVAÇÃO HOLÍSTICA


Lamentamos a tendência dos evangélicos para entender a salvação unicamente como individual e espiritual, ignorando as necessidades físicas do mundo e os aspectos seculares da salvação de Deus na história. 


Incitamos os evangélicos a resgatar a visão holística da salvação. O testemunho das Escrituras é que, devido ao pecado, nosso relacionamento com Deus, conosco mesmos, com o próximo e com a criação, foi rompido. Através do sacrifício de Cristo na cruz, foi possível refazer este relacionamento.


Onde a Igreja tem sido fiel a este chamado, tem proclamado a salvação pessoal, tem sido um canal da cura divina aos necessitados físicos e emocionais; tem procurado justiça para os oprimidos e abandonados.


Como evangélicos, desculpamo-nos por nossa freqüente falha em refletir esta visão holística da salvação. Assim, chamamos a Igreja a participar dessa atividade salvadora de Deus através da prática e da oração, lutando por justiça e liberdade aos oprimidos, sem perder de vista a salvação no novo céu e nova terra escatológica.

  

UM APELO À INTEGRIDADE SACRAMENTAL


Depreciamos a pobreza da visão sacramental entre os evangélicos. Em grande parte, isso se deve à perda de nossa continuidade com o ensino de muitos dos pais e reformadores, resultando na deterioração da vida sacramental em nossas igrejas. Também a negligência em refletir sobre a o aspecto sacramental da ação de Deus no mundo nos leva a desconsiderar a santidade do viver diário.


Conclamamos os evangélicos a tomar consciência das implicações da criação e da encarnação. Necessitamos reconhecer que a graça de Deus é medida através da fé, por obra do Espírito Santo de um modo extraordinário nos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor. Aqui a igreja proclama, celebra e participa da morte e da ressurreição de Cristo, de modo a alimentar seus membros em suas vidas em antecipação e comunicação do seu reino.

  

UM APELO À ESPIRITUALIDADE


Nós sofremos de uma negligência de espiritualidade autêntica por um lado, e um excesso de espiritualidade indisciplinada por outro lado. Temos com freqüência procurado uma religiosidade sobre-humana, quando o modelo bíblico nos fala de uma verdadeira humanidade liberta da escravidão do pecado e renovada pelo poder do Espírito Santo.


Conclamamos os evangélicos à busca de uma espiritualidade que encarne todo o conteúdo redentor de Cristo: libertação da culpa, do poder do pecado e vida nova através da ação do Espírito Santo. Afirmamos a centralidade da palavra de Deus como meio pelo qual seu Espírito age para renovar a igreja quer como corpo quer  individualmente na vida dos crentes.

           
A verdadeira espiritualidade se identifica com o sofrimento do mundo e o cultivo da piedade pessoal.


Precisamos redescobrir as fontes devocionais da igreja, incluindo as tradições evangélicas da piedade e do puritanismo.    


Conclamamos os evangélicos a uma prática devocional que aprofunde nossa relação com Cristo e com outros cristãos.


Entre essas fontes, estão disciplinas espirituais como oração, meditação, silêncio, jejum e estudo bíblico.

  

UM APELO À AUTORIDADE DA IGREJA


Lamentamos nossa desobediência ao senhorio de Cristo como expresso na autoridade que ele tem dado à sua Igreja. Isto tem promovido um espírito de autonomia nas pessoas e grupos que resulta em isolacionismo, competição e anarquia dentro do corpo de Cristo. Lamentamos essa ausência de autoridade eclesiástica que possibilita o surgimento tanto de lideranças legalistas por um lado, como, de outro, a indisciplina.


Todos os cristãos estão em submissão uns aos outros, subordinados coletivamente a uma liderança constituída, que por sua vez está submetida a Cristo. A igreja, como povo de Deus, é a presença de Cristo no mundo. Cada cristão deve ser ativo no culto e no serviço através do exercício de dons e ministérios. Na igreja, estamos em união vital com Cristo e com o próximo. Isto evidencia uma comunidade com profundo envolvimento e compromisso de tempo, energias e bens.


Além disso, a disciplina na igreja está baseada na Bíblia e sob a direção do Espírito Santo. Isto é essencial para o bem-estar e ministério do povo de Deus.

  

UM APELO À UNIDADE DA IGREJA


Lamentamos o isolamento escandaloso e a separação entre os cristãos. Acreditamos que tal divisão é contrária ao desejo de Cristo para que sejamos um a fim de que o mundo creia em nosso testemunho. O evangelicalismo também é historicamente caracterizado por um uma mentalidade sectária. Falhamos em não assumir a catolicidade do cristianismo histórico, como também a amplitude da revelação bíblica.


Encorajamos os evangélicos ao retorno do conceito ecumênico dos reformadores e dos recentes movimentos de renovação evangélica. Devemos rever criticamente nossas tradições, reconhecer que Deus trabalha dentro de várias correntes históricas. Devemos resistir aos esforços de se promover a união a qualquer custo, como também evitar os conceitos espiritualizados de união de igrejas. Estamos convencidos de que a unidade em Cristo requer expressões definidas e concretas. Nesta crença, apreciamos o desenvolvimento de encontros e cooperações dentro da igreja de Cristo. Enquanto evitamos o indiferentismo doutrinário, encorajamos o aumento de discussões e cooperação, dentro e fora de suas respectivas tradições, procurando áreas comuns de concordância e entendimento.

Deixe seu comentário
Sem comentários cadastrados.

Parceiros

ACNA Igreja Anglicana Comunhão Encristus | Encontro de Cristãos em Busca de Unidade e Santidade GAFCON Paróquia Anglicana do Espírito Santo Igreja Anglicana no Brasil - Diocese de Recife